CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR (1824)
Movimento republicano e separatista iniciado em Pernambuco, em 2 de julho de 1824. Estendeu-se às províncias da Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Ceará. Na época, praticamente todo o Nordeste estava impregnado pelo espírito republicano, que se acentuou ante as ameaças centralizadoras de D. Pedro I.
A dissolução da Assembléia Constituinte, por ordem do governo imperial, em 12 de novembro de 1823, provocou a cisão dos liberais brasileiros, até então partidários de D. Pedro I. Pernambuco dera o sinal do levante, organizando uma junta governativa, sendo designado presidente da mesma Manuel de Carvalho Pais de Andrade, e repelida a autoridade do presidente da província, nomeado pelo Imperador.
Pernambuco não aceitou a Constituição imposta por D. Pedro I à nação. Pais de Andrade passou então a desenvolver forte propaganda republicana, que envolveu nesse movimento federalista as províncias de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.
Tratou Pais de Andrade de concentrar as forças militares da província, de guarnecer e municiar arsenais e fortalezas e de armar navios. A 2 de julho de 1824 publicava Pais de Andrade um manifesto e várias proclamações, convidando Pernambuco e as províncias mais próximas a se separarem do resto do Brasil, constituindo assim uma república livre, independente, sob o nome de "Confederação do Equador". Foi instituída também uma nova bandeira.
Para subjugar o levante do norte, partiu do Rio de Janeiro uma expedição sob o comando do então coronel Francisco de Lima e Silva, sendo as forças de mar sob o comando do Lord Cochrane.
Após haver desembarcado parte de suas tropas em Maceió, capital de Alagoas, Lima e Silva seguiu para o norte, a fim de efetuar o bloqueio do Recife, onde entrou a 12 de setembro.
Um dia depois, a 13 de setembro, acontecia o primeiro choque entre as tropas imperiais e os rebeldes, que saíram derrotados. A cidade de Olinda foi ocupada e Lima e Silva conseguiu destruir a resistência das demais províncias atingidas pelo surto revolucionário, que não obteve o êxito esperado pelo seu chefe Pais de Andrade, que conseguiu fugir, refugiando-se a bordo de uma corveta inglesa, sendo mais tarde indultado.
Quanto aos demais chefes, foram julgados por tribunais militares, tendo vários, por sua maior responsabilidade, sofrido a pena de morte por enforcamento ou fuzilamento.
Em Pernambuco foram enforcados oito dos condenados à morte. Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, o conhecido Frei Caneca, havia sido condenado à forca. Sucedeu, no entanto, que nenhum dos carrascos quis prestar-se a enforcá-lo, pelo que foi fuzilado a 13 de janeiro de 1825.
Nenhum comentário:
Postar um comentário