segunda-feira, 3 de agosto de 2009

FESTAS POPULARES

FESTAS POPULARES

Grande parte das festas populares brasileiras fazem parte do calendário litúrgico. Observa-se que as mais diversas manifestações folclóricas de qualquer origem - indígena, africana ou européia - são realizadas nos dias de festas católicas, onde se misturam aspectos religiosos e profanos.

O calendário de comemorações populares divide-se em dois ciclos - o do Nordeste, do Natal ao Dia de Reis, principalmente.

O outro, no Centro-Oeste, é o das festas juninas, dedicadas a Santo Antônio, São João e São Pedro.

Há ainda o Carnaval, festa de origem pagã. Além dessas manifestações, que ocorrem em todo o país, existem outras, próprias de certos grupos ou localidades, como no caso de Nosso Senhor do Bonfim, Nazaré, etc.

Nos dias atuais, entretanto, as festas populares sofreram a influência maciça da urbanização, se tornando mais um teatro para o povo do que a manifestação ativa de seus valores e sentimentos.

FESTAS DO DIVINO

Dedicada ao Divino Espírito Santo. O imperador do Divino, geralmente um menino vestido a caráter, preside a festa, organizada pela "Folia do Divino", constituída de pequenos grupos que angariam fundos pela redondeza, cantando modinhas alusivas à festa, acompanhadas de viola e rabeca, pandeiro, etc. Carregam a Bandeira do Divino, dançam em frente às casas, onde às vezes entram. A bandeira é beijada pelo povo, no cumprimento de votos e promessas.

FESTAS DO BONFIM

É localizada no bairro de Itapagipe, em Salvador, na Bahia. Comemoração religiosa e popular, com romaria à igreja do padroeiro. A lavagem do adro do Bonfim é realizada por filhas e mães-de-santo com água do poço de Oxalá, identificado com o Senhor do Bonfim. A festa dura de oito a nove dias, até a "Segunda-feira da Ribeira", onde se exibem sambistas e capoeiristas.

FESTAS DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

Realizada em dezembro, em homenagem a Nossa Senhora da Conceição. É a festa do Largo, ainda em Salvador. Rodas de capoeiras, barraquinhas com bebidas e comida típica baiana. No dia oito, dia da padroeira, missas e procissões com a imagem da Santa.

FESTA DOS NAVEGANTES

Realizada também em Salvador, na Bahia. Procissão marítima de centenas de barcos de todos os tipos na Baía de Todos os Santos, quando acompanham o barco do Protetor dos Navegantes. Das parais e no cais, milhares de pessoas assistem o desfile dos barcos, dançado, formando grupos de batucadas, rodas de samba, etc.

IEMANJÁ

Festa da Rainha do Mar - Iemanjá, Janaína ou Nossa Senhora do Rosário. Em Salvador, um balaio, na casa do Peso, sob a guarda de uma mãe-de-santo, recebe os presentes que serão levados para o mar.

SANTA CRUZ

Comemoração pela descoberta da verdadeira Cruz de Cristo pela imperatriz Helena, mãe de Constantino. Possui danças características, resultantes da fusão de elementos europeus, indígenas e jesuítas.

BUMBA-MEU-BOI

É realizada sempre na época do Natal, com figuras e músicas essencialmente brasileiras. Festa típica, representações folclóricas de norte a sul do Brasil. Forma-se uma roda, representam-se cenas, que culminam com a apresentação do boi. Os diálogos constituem uma mistura de improvisação e tradicionalismo. As músicas são executadas por um grupo constituído de viola, pandeiro e bumbo. Os personagens são humanos, fantásticos e animais. Durante a festa, solicitam esmolas para o próximo boi.

FANDANGO

É a chamada "Marujada", que se realiza no Norte e Nordeste, na época do Natal, com personagens vestidos de marinheiros, que cantam e dançam ao som de instrumentos de cordas. Nos estados do Sul, "fandango" é o conjunto de danças rurais de coreografias diversas, variando de acordo com cada região.

De herança portuguesa e espanhola, o fandango abrange um conjunto de danças praticadas mais no Sul e Sudeste do país. Recebendo outros nomes como anu, andorinha, balaio, cana-verde, chimarrita, pezinho, tatu e xote, as coreografias variam, mais geralmente os participantes dançam em rodas ou pares. Os instrumentos musicais usados são pandeiro, sanfona, rebeca e viola.

CONGADA

A festa tem sua origem ligada aos africanos e seu padroeiro é São Benedito. É também denominada Congos ou Congado. É representada em vários estados. A parte musical se compõe de atabaques, bumbo, reco-reco, ganzá, violas e violões e cavaquinho. A parte dramática constitui a "embaixada", dividida em dois grupos: a dos cristãos liberados por Carlos Magno, e os mouros, chefiados por Ferrabás. Marcham, cantam e lutam com espadas, numa imitação de uma guerra que termina com a derrota dos mouros.

CORDÃO-DOS-BICHOS

Em Tatuí, no estado de São Paulo, existe um cordão-de-bichos, que se apresenta durante o carnaval, desfilando fantasias de animais e figuras humanas cômicas. Os bichos - sapos, elefantes, borboletas, pato, rinoceronte, etc., saem pelas ruas, sempre acompanhados por uma banda de música, que executa composições carnavalescas. Na Amazônia, é um divertimento que se apresenta nas festas juninas, onde o cordão tem o nome do animal escolhido - onça, capivara, pavão, etc., morto por um caçador que é preso e que deve ressuscitá-lo, entre cenas diversas e dança.

CIRANDA

Festa de adultos, características de Pernambuco, onde cirandeiros e cirandeiras rodopiam e cantam respostas ao mestre tirador de modas, acompanhados por instrumentos de percussão. As cantigas ou modas versam sobre todos os assuntos, desde a política ao futebol.

MOÇAMBIQUE

Festa de origem africana, praticada em todo o Brasil. Caracteriza-se por dança e jogo de bastões, cantos que narram episódios populares com fundo religioso, louvando Nossa Senhora e São Benedito e ainda, explicações místicas das razões do Moçambique ser abençoado por Deus. A dança é ritmada com os bastões se chocando, guizos e uma caixa que repica sob as ordens de um "mestre" que apita, quando o ritmo deve ser modificado.

CAPOEIRA

A capoeira chegou ao Brasil com os primeiros escravos bantus, vindos de Angola. Trata-se de um dos principais elementos negros de cultura nacional. Os negros, proibidos de carregar armas, conservaram a tradição da capoeira para conquistar e defender a sua liberdade. Os golpes acompanham o ritmo de berimbau, pandeiro, etc. lutadores e instrumentistas formam um círculo, com cantos de louvação à capoeira. Regra geral, os lutadores ou capoeiristas ficam acocorados junto ao berimbau, até que o solista do instrumento marca o início do jogo. De pé, a luta se inicia. Os adversários se benzem e, girando o corpo, começam o "jogo de baixo", desenvolvendo, de pé, o resto da luta, que se torna mais violenta e exige os golpes de capoeira mais importantes, que são o "meia-lua", a "bananeira", "aú", "cabeçada" e o mais perigoso, o "rabo-de-arraia".

LITERATURA DE CORDEL

Utilizando uma técnica de métrica e rima de tendências arcaicas, os trovadores brasileiros produziram um vasto material poético. A "cantoria" ou "desafio" é a forma usada para a poesia improvisada. Dois cantadores, viola em punho, improvisam em tom satírico e jocoso. Tradição e criatividade individual são misturados e presentes nos poemas narrativos que constituem a manifestação mais elaborada da literatura oral brasileira. Utilizam temas tradicionais, do dia a dia e ainda religiosos. Falam do diabo, do bom cristão, do cangaceiro, de crimes, façanhas, política, etc.

Transcritos em folhetos impressos, essas composições são vendidas nas feiras pelos próprios cantadores, constituindo a literatura de cordel, assim chamada por se atarem os folhetos a um cordel e pendurá-los numa vara.

Tais folhetos constituíram durante muito tempo o único veículo de informação ou notícia para os sertanejos. A importância do cantador no Nordeste é muito grande. A xilogravura popular aparece nas ilustrações dos folhetos, fixando em traços uma cena ou o principal personagem da história. Geralmente retrata vaqueiros, cangaceiros, bois e aves, etc., traduzindo a ingenuidade do artista popular.

O Nordeste é um centro típico, sede da poesia improvisada dos cantadores e da literatura de cordel.

DANÇAS FOLCLÓRICAS

Por ser, o Brasil, um país de dimensões continentais e o povo brasileiro ser o resultado da miscigenação de um número considerável de povos, tanto nosso folclore como a maior parte das danças populares brasileiras, são muito ricas e diversificadas. Nossa cultura, e nossas danças populares, sofreram influência desses povos, que na maior parte das vezes eram africanos indígenas e ibéricos. As danças estão, em geral, ligadas a festas, folguedos e outras manifestações populares. Há danças que são executadas individualmente e outras aos pares ou em grupos. Apresentamos a seguir algumas das principais danças que ainda são praticadas em alguns territórios do nosso país.

LINDU

Trazida ao Brasil por escravos da região central da África, principalmente de Angola. A coreografia tem pontos em comum com as danças flamencas. A dança é executada em roda com uma mulher ou um casal no centro. É dançado na Região Nordeste e no estado de Minas Gerais.

COCO

Com influência africana, é uma dança de roda acompanhada de cantorias e executada em pares, fileiras ou círculos. Sua origem está associada ao trabalho de escravos, que cantavam enquanto quebravam cocos. Alguns passos possuem denominações curiosas, como cavalo manco e tropel repartido. A dança pode receber nomes diferentes de acordo com o instrumento de percussão utilizado para criar o ritmo.

FREVO

Essa dança tipicamente nordestina embala multidões de carnavalescos, especialmente no estado de Pernambuco. O nome "frevo" tem sua origem na idéia de "fervura". Existem três tipos de frevo: o de rua, com forte ritmo produzido por trombones e trompetes; o frevo de canção, normalmente apresentado em clubes, e o frevo de bloco, com ritmo mais cadenciado, conduzido por vozes femininas e instrumentos como cavacos, banjos, bandolins, flautas e violões.

QUADRILHA

Conhecida também como dança caipira, a quadrilha é dançada em todo o país. Suas origens provêm de um bailado palaciano praticado nas cortes européias. Apesar de ter se modificado muito através do tempo, sua essência permanece nas coreografias executadas aos pares, com homens e mulheres. A música vem da sanfona e de instrumentos de percussão, como zabumba e o triângulo.

PAU-DE-FITA

Trazida pelos colonizadores portugueses e espanhóis, esta dança é executada em círculo, em volta de um mastro enfeitado com fitas coloridas. Uma pessoa no centro, sustenta o mastro enquanto os dançarinos fazem os passos trançando as fitas. Ao final, as tranças das fitas devem ser desfeitas, ao ritmo da música, sem nenhum erro.

CURURU

De origem indígena, o cururu é uma dança essencialmente masculina, que se traduz numa tradição que é mantida até hoje em alguns lugares do nosso país. Por meio da miscigenação dos povos, adquiriu conotação religiosa, funcionando como uma louvação aos santos padroeiros do lugar em que é praticada. Em Mato Grosso, as duplas cantam e dançam desafiando-se ao som de violas-de-cocho e reco-reco.

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