PALMARES (1630)
Diante da resistência passiva dos índios à escravidão, recorrem os portugueses e paulistas ao servilismo do negro africano. Desde 1531 há notícia da escravidão vermelha no Brasil, quando Martim Afonso de Sousa dera licença a Pero de Góis para levar à Europa alguns escravos indígenas. Desde o ano de 1532, no entanto, nas antigas capitanias de São Vicente e Pernambuco, escravos negros trabalhavam nas lavouras de cana-de-açúcar.
Os escravos índios, caçados nos sertões, não se adaptavam à agricultura e passaram então a ser utilizados como canoeiros, combatentes ou no serviço da indústria extrativa.
Na época, Portugal era, de todas as nações, a que em mais larga escala exercia o tráfico de escravos africanos. Amontoados no porão escuro e infecto dos navios, às centenas, muitos sucumbiam e, chegando ao Brasil, eram vendidos e passavam à posse dos senhores de engenho ou da cidade.
Durante a invasão holandesa em Pernambuco, o número de escravos fugidos no interior de Alagoas foi enorme. Formaram então "quilombos". Desses grupos, o de Palmares foi o que mais tempo durou - de 1630 a 1695. Foi o que ocupou maior área territorial, cerca de 400 quilômetros quadrados dos atuais estados de Pernambuco e Alagoas.
Palmares foi o que deu mais trabalho às autoridades para ser exterminado. Possuía um verdadeiro exército armado e era considerado o maior inimigo de Portugal, na época, depois dos holandeses.
Seu primeiro chefe foi "Gangazumba" que, como rei, governou até o ano de 1678, quando, por haver negociado a paz com os brancos, perdeu o prestígio e foi assassinado.
Gangazumba foi substituído por Zumbi, que se tornou Iíder incontestável de Palmares. Várias investidas foram feitas contra o quilombo dos Palmares, com o objetivo de exterminá-lo: duas, durante o domínio holandês e 14 já sob a tutela de Portugal.
A destruição da república negra de Palmares só foi conseguida, porém, em 1695, apos três anos de luta, por forças luso-brasileiras, sob o comando de Domingos Jorge Velho, bandeirante paulista que já havia devastado os sertões centrais até os confins do Maranhão.
Jorge Velho era aguardado em Porto Calvo por um forte contingente preparado pelo governador. Antes de chegar a essa localidade, enviou alguns emissários para explorar as imediações dos redutos negros. Ficou constatado que Palmares estava recebendo armas clandestinamente e se achavam fortificados de tal forma que a peleja deveria ser árdua.
O exército sob as ordens de Jorge Velho compunha-se de 7.000 homens. A primeira investida foi horrível, havendo muitas mortes de ambos os lados. Jorge Velho, vendo que era impossível prosseguir o combate sem o auxílio da artilharia, fez ver isto ao governador.
Vão-se repetindo os assaltos e cada vez mais fortes se tornam os Palmares. Durante três anos de luta, os negros resistiram galhardamente. No final, com mais reforços, artilharia e armas pesadas e com falta de munições e víveres que já sofriam os negros encurralados, a vitória começou a sorrir aos atacantes.
E as barreiras foram destruídas e Palmares foi arrasado em 1697.
Conta-se que o chefe dos Palmares, Zumbi, para não cair em poder do exército vencedor, atirou-se de um rochedo. Outra versão conta que Zumbi morreu, porém, em combate, vítima da traição de um mulato, quando atacado no seu mocambo, onde só lhe restavam seis homens.
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