GUERRA DOS EMBOABAS (1708)
O sentimento nativista surgiu no Brasil desde o século XVII. Os portugueses eram antipatizados, principalmente pelos mamelucos de São Paulo que, peritos nas batidas do sertão, na caça de escravos índios, se sentiram depois excitados, como os por-tugueses, pela febre do ouro, ante a descoberta das primeiras jazidas.
Os bandeirantes não viam com bons olhos aos portugueses, que queriam ser os senhores dos sertões que eles descobriram e desbravaram. Chamavam os reinóis de "emboabas", nome extensivo a todos os foras-teiros lusos na região das minas.
Essa animosidade étnica explodiu sob a forma do movimento rebelde chamado dos "Emboabas".
Tendo chegado ao conhecimento de Portugal a notícia das descobertas das jazidas auríferas, logo se operou o êxodo de aventureiros lusos em demanda da região das minas. Os paulistas não disfarçaram seu ressentimento e os reinóis foram tratados com prepotência e desprezo, o que gerou a irrupção dos ódios concentrados, provocada por um pequeno incidente.
Os lusos, constituindo-se mercadores do sertão, vendiam tudo a preços exorbitantes. O rompimento se deu em Caeté, no ano de 1707, quando dois paulistas tentaram desarmar um forasteiro, o que foi considerado como afronta à comunidade paulista.
Logo em seguida, um paulista escondeu o assassino de um emboaba e foi morto em sua própria casa. Espalhou-se então o boato de que os descobridores das minas tencionavam promover um massacre em represália. Os emboabas, temerosos, reuniram-se em torno de um líder, Manuel Nunes Viana, nomeado por aclamação "governador nas minas, para acabar com a insolência dos paulistas".
Estes, por sua vez, se concentraram em Sabará, onde os emboabas os foram atacar. Foram vencidos pelos paulistas. Pedido reforço a Nunes Viana, este acudiu com um contingente de mil homens.
Após a ação, os paulistas se concentraram num capão de mato, à margem do Rio das Mortes, onde, de surpresa, se viram cercados por todos os lados.
Depuseram os paulistas as armas, com a condição de lhes serem poupadas as vidas sob juramento do chefe vencedor, que, entretanto, não cumpriu a palavra dada aos vencidos, pois uma vez desarmados, mandou-os passar, um a um, a fio de espada, só escapando alguns poucos que conse-guiram fugir, atravessando o rio.
O local da carnificina ficou conhecido como "Capão da Traição". Em São Paulo, porém, a notícia do massacre do Capão da Traição indignou a todos. E foi organizado um exército sob o comando de Amador Bueno da Veiga, com missão de vingança.
O exército paulista encontrou os emboabas já prevenidos de sua chegada, na Ponta do Morro. Ali foi travado um combate durante uma semana, até que os paulistas, vendo que os emboabas continuavam recebendo grandes e novos reforços, bateram em retirada.
Este foi o último capítulo dessa guerra. Com a criação da nova capitania de São Paulo e Minas, veio o perdão geral e, com ele, a pacificação.
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