segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Revoluções e Revoltas do Brasil

REBELIÃO DE BACKMAN (1684)

Essa rebelião eclodiu em São Luís do Maranhão em 1684. Deu motivo a esse levante o fato de ter a metrópole criada, em 1682, uma grande companhia de comércio, com o monopólio por vinte anos, da importação e exportação e com a obrigação, entre outras, de introduzir anualmente 500 escravos pretos para serem vendidos.
Esperava o Estado assim mitigar as queixas dos colonos, que reclamavam contra a proibição da escravatura indígena, até fazê-la cessar de todo.
Sucedeu, entretanto, que essa companhia começou a explorar o tráfico de negros escravos. Foi então tramada a revolta, que teve como cabeça Manuel Beckman, português de origem alemã, vulgarmente conhecido como "Bequimão", fazendeiro inteligente e de larga influência em seu meio.
O objetivo essencial dessa rebelião era, porém, acabar com a lei que garantia a liberdade dos índios, hostilizando os jesuítas e, ainda, acabar com o monopólio da Companhia de Comércio do Maranhão.
A Beckman reuniram-se seu irmão mais novo, Tomás e outros. Concertado o plano, rebentou o motim na madrugada de 25 de fevereiro de 1684, tendo os sublevados prendido Baltazar Fernandes, governador interino, em São Luís, onde se perpetraram vários assassínios.
Formou-se logo uma "Junta dos Três Estados", representantes do clero, da nobreza e do povo, sendo decretada a deposição do gover-nador, a expulsão dos jesuítas, etc.
Beckman declarou assim proceder porque os padres tinham a seu cargo a administração dos gentios.
Logo o governo revolucionário resvalou em franca ditadura nas mãos de "Bequimão", que se impopularizou, a ponto de os moradores fugirem para o interior, descontentes e ansiosos pela restauração da ordem legal.
Nesse ínterim, chegava ao Maranhão o novo governador-geral, nomeado pela metrópole, Gomes Freire (avô do conde de Bobadela), que concedeu anistia aos revoltosos, com exceção de Beckman e Jorge Sampaio, que foram enforcados.
Gomes Freire restabeleceu a ordem pública, mandando voltar do Pará os missionários da Companhia de Jesus, que haviam sido expulsos.

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