REVOLTA DOS MARINHEIROS (1910)
Nos primeiros tempos da República, a reforma da Armada requeria tripulações cada vez mais numerosas, havendo dificuldades para o recrutamento. Um dos métodos utilizados para suprir essa deficiência de material humano era o voluntariado, que atraía gente de toda espécie. Outro método era o "sorteio".
Para manter a disciplina a bordo, a oficialidade contava com um código de castigos horríveis, desde a "solitária" até 25 chibatadas. Nos grandes couraçados, a disciplina era mantida à custa de chicotadas, o que, como teria de acontecer mais cedo ou mais tarde, gerou um levante.
Na Revolta dos Marinheiros, ocorrida na baía de Guanabara, foram os encouraçados e um cruzador - o Minas Gerais, o São Paulo, o Deodoro e o Bahia - que participaram da revolta.
O instigador ou mentor da insurreição contra a "lei da chibata" foi o marinheiro João Cândido, que assumiu o comando da esquadra sublevada e no mesmo dia, 22 de novembro de 1910, exigiu pelo telégrafo, ao presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, a eliminação do humilhante castigo corporal, sob pena de bombardear a cidade e os demais navios da Armada se a resposta não fosse imediata.
Três oficiais das Minas Gerais que tentaram deter os revol-tosos foram mortos, outros ficaram seriamente feridos. No São Paulo e no cruzador Bahia morreram não só oficiais como marinheiros.
Ante a ameaça de bombardeio, a população carioca tentou fugir da cidade. Um deputado gaúcho conseguiu subir a bordo do Minas Gerais para parlamentar. No dia 23, a oficialidade da Marinha chegou a aventar a hipótese de atacar as belonaves revoltadas e afundá-las a tiros de torpedo.
Para evitar o encontro, João Cândido preferiu retirar seus navios da baía, alegando que "com meia dúzia de tiros acabava com os destróieres e todos eles virariam ferro velho".
No dia 25, a Câmara aprovou a anistia para os revoltosos e o atendimento das suas reivindicações. Antes de entregar os navios aos novos oficiais comandantes, os marinheiros lavaram os cascos e os conveses, pres-tando continência aos seus improvisados comandantes de 4 dias.
Apesar de anistiado, João Cândido, que manobrou a esquadra com a perícia de um oficial, foi, mais tarde, preso por um ano e meio, sob a acusação infundada de ter manobrado navios da Armada em outro levante, embora dessa vez, estivesse ao lado do governo. Absolvido, abandonou a Marinha.
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