segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Revoluções e Revoltas do Brasil


A GUERRA SANTA DO CONTESTADO (1912)

Em Santa Catarina apareceu, certa vez, um "messias" ou "monge" por nome João Maria, que alcançou bastante popularidade entre as pessoas daquele estado sendo mesmo reverenciado como "santo".
Depois dele, dois ou três "profetas" apareceram usando o mesmo nome de João Maria. Por volta de 1904-1908, quando morreu o último João Maria, seu nome já estava envolto em celebridade e mistificação. Muitas pessoas não quiseram acreditar que morrera, enquanto outros esperavam a sua ressurreição.
Em 1911, surgiu outro monge, José Maria, que se fez passar por irmão do monge João Maria, reunindo logo à sua volta um grande contingente de fiéis. E aos poucos, seus sermões assumiram um caráter político.
José Maria começou por atacar a república, pregando que a monarquia seria reinstalada no país. O "bando", que se instalara em Taquaraçu, começou a preocupar o coronel Francisco de Albuquerque, chefe político local, que o denunciou ao governo estadual.
Tropas estaduais foram então enviadas, mas quando chegaram, o
"bando" já se havia retirado em direção a Palmas, no Paraná.
Nessa mesma época, os estados do Paraná e Santa Catarina estavam em conflito a respeito de fronteiras e o governo paranaense, interpretando o grupo de fanáticos de José Maria como invasão de catarinenses, mandou um destacamento policial, sob o comando do coronel João Gualberto, enfrentar os invasores.
O combate foi violento, morrendo na luta os dois líderes, José Maria e o coronel João Gualberto. Depois disto, tudo indicava que o movimento não se rearticularia. No entanto, em fins de 1913, um rico fazendeiro, Euzébio Ferreira dos Santos, adepto do "monge", cuja neta tinha visões de José Maria, instalou novo agrupamento em Taquaruçu. Pretendia fundar uma cidade santa, que receberia de volta José Maria.
O movimento cresceu rapidamente e, preocupado, o coronel Francisco de Albuquerque fez nova denúncia ao governo estadual.
E em 29 de dezembro desse mesmo ano, ocorreu o primeiro encontro entre os fiéis e as forças estaduais, do qual os rebeldes saíram vencedores.

Dois meses depois, as tropas estaduais voltaram com reforços, conseguindo desta vez dispersar os revoltosos. Logo, porém, os fanáticos voltaram a se reunir em outro reduto, situado num emaranhado de florestas.
Foi a vez então do governo federal, que decidiu exterminar de vez o movimento, mandando para lá uma força sob o comando do general Mesquita. Os rebeldes, evitando o combate, refugiaram-se na mata densa e o general Mesquita, considerando-os vencidos, retirou-se para o litoral.
Tempos depois, surgiu um manifesto pregando a Guerra Santa contra a república. O governo federal enviou então novas forças, desta vez sob o comando do general Setembrino de Carvalho que, depois de dois meses de cerco, conseguiu penetrar no reduto dos jagunços, encontrando-o completamente vazio: os rebeldes, usando da mesma tática anterior, ludibriaram novamente as forças legalistas que, promovendo novo cerco, procuraram cortar as fontes de abastecimento dos rebeldes.
Adeodato, chefe supremo do movimento, vendo poucas possibi-lidades de sobreviverem ao cerco militar, simulou ter recebido ordens de José Maria e, visando a dispersão dos fiéis, dizia que aquela não era a Guerra Santa e que esta somente se realizaria dentro de quatro ou cinco anos.
Assim, os rebeldes começaram a se entregar, depois de esconderem todas as armas. Todos os líderes do movimento foram presos. Adeodato foi condenado a trinta anos de prisão. Tentou fugir por duas vezes.
Na segunda tentativa foi morto.

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